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Proposta #3

This is the moment we've been waiting for. Sem dúvida, esta é a proposta de trabalho mais complexa.
Integrando os demais conhecimentos adquiridos, pede-se que seja realizada uma infografia jornalística.

Temática. Abordagem com falhas
O tema selecionado aborda o fenómeno dos smartphones. Este é um tema de relevância jornalística pois o mercado dos telemóveis está em expansão, criando maiores condições para a venda e publicidade deste tipo de dispositivos. Esta exposição nem sempre é corretamente assimilada pelos consumidores. Por exemplo, muitos artigos de caráter tecnológico, como este, da CNET, entram em detalhes extremos sobre o funcionamento dos dois maiores sistemas operativos móveis, iOS e Android.
Este tipo de artigo serviu de base simultaneamente para saber como abordar o assunto dos smartphones (especificando com uma sucinta comparação dos sistemas iOS e Android) e o que evitar ao realizar a infografia. Como tal, consideramos desde já que este artigo encontrado aborda a temática de modo incompreensível para muitos leitores, estando orientado a uma audiência mais especializada no assunto.

A questão que surge de seguida remete-se ao tratamento deste tipo de conteúdos por parte da imprensa generalista. Como entusiastas da tecnologia, com alguns conhecimentos, consideramos que não é incomum surgir na imprensa generalista o ocasional artigo que trata de modo confuso e redutor o lançamento dum produto tecnológico como um smartphone. Em vários casos, este parece um copy-paste do comunicado de imprensa, citando ipsis verbis colunas de especificações técnicas que, sem um contexto, fazem pouco sentido ou têm pouco interesse para o leitor. Tendo esta questão em mente, propusemo-nos ainda a criar um contexto dentro da própria infografia que fosse capaz de esclarecer terminologia mais específica, sem interromper a perceção do leitor mais entendido na área da tecnologia.

Conceito
O papel da infografia que desenvolvemos é o de exemplificar em termos técnicos mas concisos o que é um smartphone, o que há no mercado, as dimensões deste e até que ponto a presença dos smartphones influencia a atividade das pessoas no seu dia a dia (por exemplo, o seu acesso à internet). Todas estas informações são iterativas, na medida em que os factos são apresentados recorrendo a ilustrações simplificadas e o leitor é capaz de as construir por próprio interesse.
A maior parte deste tipo de informações vem de fontes como estudos de mercado da Gartner, de artigos relativos ao assunto e ainda do motor de busca de conhecimento Wolfram|Alpha.

A infografia jornalística que concebemos foi pensada e realizada para encaixar no jornalismo online, visto que não só a infografia impressa depende fortemente dos condicionalismos do periódico (espaço dedicado, impressão a cores ou não, formato do jornal) mas também a infografia online cresceu exponencialmente em popularidade e qualidade, com exemplos de topo providenciando inspiração e know-how aos aspirantes a designer de comunicação.

Estrutura. Execução
Apesar da preocupação com a distribuição online, a infografia realizada adapta-se melhor a ecrãs de grande resolução, tendo em conta o seu layout e largura vasta, que se deve da necessidade de tornar a informação legível e fluida.
Esta infografia alimenta-se de diversas interfaces a ela comuns: a timeline, o diagrama e a informação estatística, como modo de potenciar diferentes mensagens a transmitir.

(Clique para ver em tamanho inteiro noutra janela)
No que toca à estrutura, prosseguindo com os paralelismos ao meio online, simulamos um layout da web, com três colunas. Sensivelmente a meio, uma divisão cromática marca a segunda metade da infografia. Esta estrutura não é quebrada de cima a baixo.

As duas colunas externas albergam, na primeira parte da infografia, uma timeline sucinta com os marcos mais importantes relativos ao tema na coluna da esquerda e um pequeno glossário com termos empregues na infografia na coluna da direita. Estas informações paralelas servem-se do baixo contraste entre cor de fundo e da tipografia (mantendo a legibilidade), de modo a enfatizar o seu caráter secundário de assistência ao conteúdo da coluna do centro. Esta emprega a definição retirada do dicionário, a introdução e a explicação técnica sobre o smartphone.

Na primeira vinheta estabelecendo a comparação entre um smartphone e um computador, é de notar o diagrama. Traçado duma fotografia dos componentes internos do iPhone 4S, é a ilustração do género mais complexa que realizámos até agora. (Inspiração nos trabalhos de Kevin Hulsey q.b.)
Na terceira vinheta em degradê cinza, as funcionalidades mais comuns dos dispositivos são reduzidas ao simbolismo e ao valor semiótico da ilustração. Graças ao seu alto reconhecimento em sistemas estandardizados (ISO) e pelo uso de skeuomorfismo nas interfaces de computador, esta secção da infografia é rapidamente percetível sem empregar uma palavra a mais.

Após esta introdução de valor técnico, uma vinheta de transição cromática e de arquitetura de informação vem agitar as águas. O objetivo desta vinheta é o de introduzir a estatística como último e mais proeminente pilar da comunicação estabelecida na infografia, para isso demonstrando os dois maiores concorrentes de software  para telemóveis. As colunas paralelas demonstram informação sobre vendas de unidades por software dominante e acessos à internet via plataformas móveis, a título de comparação, constituindo as partículas de informação que permitem ao leitor construir as suas próprias iterações no assunto.

Seguidamente, a forma dominante é a divisão a meio, na vertical, como comparação entre sistemas operativos móveis. Esta comparação está, a nosso ver, encadeada e contextualizada: inicialmente explica-se porque é que o smartphone é essencialmente uma iteração de um computador, o que leva o tema aos sistemas operativos. Este conteúdo está separado pela ordem predileta do consumidor, o "bom" e o "mau". Na barra lateral, a informação paralela fala cada vez mais ao leitor comum: gamas de preços e aplicações ao seu dispor por plataforma.
A infografia conclui com uma nota de caráter mais ligeiro, reforçando a ideia geral de descomplicação e empatia com o leitor comum que, munido da informação que lhe é oferecida sistematicamente, pode agora tomar uma decisão mais consciente sobre se deve ou não participar no fenómeno dos smartphones.

Escolhas visuais
A nível visual, descobrir uma temática apelativa e apropriada ao tema não foi difícil de todo. O tema é flexível, assim como o público - além de que a maior preocupação durante a maior parte do trabalho foi a de obter informação relevante que pudesse ser relacionada com o tema.

As cores verde, branco, cinza escuro e amarelo serviram de base às demais. As restantes tonalidades empregues e cores complementares surgiram da necessidade já mencionada de comunicar uma mudança de paradigma na apresentação da informação. As escolhas tipográficas gravitam muito em torno da seriedade que conquistámos na última proposta de trabalho - DIN e Zag encarnam os seus papéis neste trabalho. O contraste entre os dois tipos utilizados em conjunção cria variedade e novidade na informação apresentada.
Outras partículas visuais como os degradês, acentuações de stroke e padrões halftone contribuem para enriquecer a linguagem visual da composição, não retirando foco da informação a transmitir.

(Formato PNG para download)

Um pouco de história

No início da sua inclusão na imprensa, a infografia foi uma derivação do que Hodgson (1977) denominou “Pictorial Journalism” que não era mais do que o uso de desenhos para acompanhar informação.
Este conceito foi utilizado até quase meados do século XX: a infografia era associada aos desenhos e/ou ilustrações que acompanhavam a informação.

A infografia moderna
O grande salto da infografia nas redações surgiu no jornal USA Today, primeiro jornal norte-americano que circulava a nível nacional.
O USA Today marcou diferença dada a sua arquitetura informativa com textos breves, concisos e de ágil leitura, além de oferecer entradas à informação com destaques, sublinhados, textos simplificados, apoios, entre outros.
Mas o que revolucionou e cativou o leitor relaciona-se com o grande destaque da informação visual. Grandes fotografias, expressivas, que contavam histórias e transmitiam emoções, mas principalmente, infografias.
São famosos os gráficos estatísticos que se publicavam todos os dias na capa do jornal os chamados: Snapshots que de forma inteligente comparavam, mostravam diferenças e davam oportunidade ao leitor para tirar as suas próprias conclusões. A página da meteorologia utilizando a cor como uma linguagem para comunicar as temperaturas revolucionou e deu maior importância aos dados do tempo.

A infografia nos dias de hoje
O grande foco da infografia atual é a análise.
Procuram-se infografias que tenham um importante
impacto visual, enquanto os gráficos e esquemas transmitam informação, comparação e dados que  permitam ao leitor navegar pelo gráfico. O resumo visual e a análise da informação são as bases destes gráficos, menos artísticos, porém mais ricos em conteúdo e dados.

Este mapa publicado a 11 de setembro de 1702 é o primeiro gráfico na imprensa que se conhece.
Mostra a tentativa de ocupação da baía de Cádiz por tropas inglesas.
Exemplo de algumas infografias utilizadas pelo USA Today.
Texto e adaptação: Ernesto Olivares

Infografia

No presente século, as infografias são uma das mais úteis ferramentas do jornalismo. Desde as que se encontram presentes em páginas dos jornais às infografias interativas em formato online, cada vez mais estas formas de condensar informação ganham espaço.

Simplificar.
Resumir.
Aclarar.

Estes são uns dos principais objetivos destes novos utensílios jornalísticos. Tendo em conta a enorme quantidade de informação com que se vê deparado dia-a-dia, o leitor consegue assim captar o básico sobre determinado fenómeno ou acontecimento através de uma simples ilustração e/ou gráfico animado. Assumem assim as infografias um papel de utilidade pública, que transitam das velhas e poeirentas enciclopédias ilustradas para um pequeno ecrã de telemóvel, adquirindo assim um papel de utilidade pública. Eis um exemplo claro, do jornal norte-americano The New York Times:

Facebook Privacy, infografia New York Times (clique para ampliar)


Bibliografia consultada: "Infografía 2.0" - Cairo, Alberto; Alamut, Madrid

Proposta #2

A segunda proposta de trabalho sugerida - realizar uma infografia tipográfica - exigiu um pouco da filosofia  outside the box, na medida em que as infografias mais comuns recorrem aos elementos básicos da comunicação visual (já abordados nos trabalhos da proposta prévia) e, neste trabalho, o objetivo é enaltecer a tipografia e a palavra ou letra como expressão superlativa estética e lógica.

Brainstorming
Com este requisito em mente, colocámos várias hipóteses concetuais e temáticas. Como a sugestão de trabalho consistia sobretudo em escolher uma notícia ou texto, esta foi expandida, inicialmente, pois optámos por construir um léxico sobre a temática da autoridade - como reflexão sobre as recentes tensões sociais e políticas observáveis atualmente em vários países europeus (inclusivamente Portugal). Este tema inicial foi considerado por ser atual e por ser diretamente observável, pois é uma realidade com a qual temos algum grau de proximidade.
A nível de execução do tema, colocámos algumas ideias: poderia ser um padrão repetido, recorrendo à mesma expressão textual em cores alternadas (com um significado subjacente), ou ainda uma espécie de composição de caos organizado, recorrendo à repetição concêntrica de expressões, centradas literalmente num tema (ao centro duma composição quadrangular), tendo como itens organizadores a periodicidade das repetições em órbita e a rotação das palavras (ambos aliados à sequência de Fibonacci).
Estas ideias iniciais foram executadas. Chegámos à conclusão de que até eram interessantes para exprimir a ideia já definida, mas não se apropriavam da dimensão intemporal e da relevância social que o tema geral exigia. Ainda, a nível de perceção e leitura, não facilitavam a compreensão geral da ideia, pelo que foram descartadas.

Nova ideia. Conceito
Adaptámos o tema para especificar melhor uma situação de controlo, ubiquidade autoritária e ordem.  Continuava a ser importante a atualidade - sendo que a intemporalidade é uma máxima que tentámos tocar com a nova inspiração decidida - 1984, de George Orwell.
O icónico livro retrata uma sociedade distópica, coordenada por um partido manipulativo e opressor encabeçado por uma mística figura, Big Brother. Considerámos que imensas temáticas abordadas nesta obra de ficção, publicada em 1949, se transportaram ao quotidiano atual, o que conquista o critério da intemporalidade que definimos inicialmente como objetivo temático.
Para transportar esta ideia à fruição, decidimos realizar uma infografia estilo nuvem de tags em forma de uma palavra (ver exemplo no post anterior). Apesar de não ser exatamente nova, esta ideia funciona pois a obra é um ícone, logo imediatamente reconhecível, permitindo recorrer ao poder do nome 1984 como forma, estando esta literalmente preenchida de conceitos alusivos ao mundo da Oceania, Eastasia e Eurasia. Para manter a referência à obra consistente, como fio condutor semântico, estes conceitos são, na verdade, expressões em Newspeak, a língua fictícia introduzida no contexto da sociedade liderada pelo Ingsoc, onde certas máximas de manipulação do pensamento e brainwashing estão, desde a raiz, embutidas.

Execução. Tipografia & cores
(Composição final. Clique para ver em 1440x900, um dos possíveis enquadramentos)
A fonte tinha de ser, à partida, séria, com um perfil legível e ordenado em caixa-alta. Modernidade e legibilidade constituíam ainda um grande interesse, portanto uma fonte sem serifas seria mais adequada.
Posteriormente, com o novo conceito que tomámos como definitivo, surgiram mais necessidades - tinha de ter grande variedade de pesos (55, 65, 75 - de acordo com o sistema de Frutiger, por exemplo), para incutir movimento e textura à composição e, ainda, tinha de oferecer pesos condensados ou comprimidos, de modo a facilitar a leitura superficial de 1984, pois estes reduzem a quantidade de white space entre palavras. Com estas exigências em mente, pesquisámos por várias fontes.
Apesar destes exemplos serem candidatos fiéis para o trabalho, decidimo-nos posteriormente por uma fonte com feições mais autoritárias.
Optámos pela fonte FF DIN. Foi criada em 1995 por Albert-Jan Pool, após lhe ter sido sugerido (por Erik Spiekermann, autor da FF Meta, uma das suas fontes mais conhecidas) que tentasse revitalizar a original DIN 1451, de 1923. Alguns dos usos mais reconhecíveis em Portugal incluem a corporate identity do Metro do Porto e os visuais da RTP (nomeadamente o Telejornal, que utiliza a mesma fonte condensada nos títulos e leads das notícias). Na Alemanha, desempenha um papel fulcral na sinalética dos transportes rodoviários. Ainda, um pouco pela Europa, a DIN surge inúmeras vezes em matrículas.

Como foi possível recorrer à cor nesta proposta, decidimos adiantar um pouco mais da história de 1984 e utilizámos tons de verde esbatidos. O objetivo é transmitir um ideário de aceitação plena (do Big Brother, segundo conta a história), enquanto um sobretom clínico e racional está espelhado no degradée de cinza para verde da tipografia em si. Com esta paleta inócua, relativamente à história, não pretendemos revelar demasiado ou projetar opiniões pessoais, antes criar uma atmosfera de curiosidade e aceitação no observador.

O processo de construção da imagem foi relativamente simples, embora tenha consumido bastante tempo e tenha sido bastante repetitivo. Os números foram definidos com um stroke para guiar o preenchimento, que foi posteriormente realizado palavra a palavra (à volta de 150 palavras). A parte mais complexa deste processo foi garantir que, uma vez oculto o stroke que servia de guia, o nome continuaria facilmente percetível. Para isto, e voltando a mencionar os princípios Gestalt estudados na primeira proposta, os vértices e curvaturas de cada letras foram alinhados com proximidade e semelhança aos contornos mais próximos, produzindo linhas imaginárias que o observador interpreta como sendo um número. Neste aspeto, a escolha duma tipografia tão condensada auxiliou na compreensão do todo, embora tenha sido emparelhada com trabalho extenso de tracking manual de cada palavra, de modo a incutir mais textura e variação à composição. O leading, embora seja diferenciado consoante o número, é mais constrito nas mudanças.

Em baixo da composição maior, as três máximas do Ingsoc, que representam o poder total do Partido e também a chave para este ser derrubado através da consciência política: "WAR IS PEACE. FREEDOM IS SLAVERY. IGNORANCE IS STRENGTH."
Estas três afirmações poderosas foram colocadas fora do contexto geral da composição para ganharem destaque e reafirmarem a importância da obra. Relativamente à composição, têm maior visibilidade e identificação por estarem destacadas e por recorrerem a um subtipo da DIN mais ligeiro.

Para executar o conceito, recorremos ao Illustrator devido não só à fácil manipulação e escalabilidade das imagens mas também pela abundância de controlos de texto e tipografia bastante flexíveis, que produzem bons resultados e auxiliam o efeito pretendido.

Usos reais
Para concluir, após apresentar as potenciais ideias, a ideia final, a execução e o porquê das escolhas feitas, refletimos sobre a possível aplicação desta composição no mundo real.
Não havendo um enquadramento proposto, ao contrário do trabalho realizado previamente, os usos desta imagem são praticamente ilimitados: outdoors, revistas, posters de lançamento, capas de livro, T-shirts, wallpapers, tecidos, etcetera.
Isto deve-se à variação de escalas que executámos na proposta, havendo quer pedaços de texto muito pequenos bons para leitura aproximada num suporte grande, quer palavras instantaneamente reconhecíveis a dimensões pequenas. Assim, a imagem não está restrita a um tipo de suporte ou de produção, permitindo uma flexibilidade aprazível. Na área do design de comunicação, estas são mais-valias que arrebatam certos projetos em detrimento de outros, como uma possível proposta de trabalho, por exemplo.

(Download em formato Illustrator. As fontes foram convertidas para paths)

Fotobservação

Para poder concretizar a segunda proposta de trabalho foi necessário realizar uma observação mais criteriosa do quotidiano, em função da tipografia. Nomeadamente, iremos proceder a uma análise do seu valor quer estético quer expressivo, como veículo mais importante da comunicação não-verbal humana. Realizámos uma recolha fotográfica, no ambiente urbano, da qual apresentamos os excertos mais interessantes do ponto de vista do design tipográfico.
Escolhemos este exemplo para uma análise mais detalhada, tendo em conta certas características da letra ou semelhanças. A fonte não tem serifas e está definida em caixa-alta, sendo utilizada para denominar um estabelecimento. Embora não tenhamos uma correlação direta com uma fonte comercial, este espécimen apresenta características como a altura das barras mais próxima à linha de base nas letras E, F e A (semelhantes, por exemplo, à Neutraface, numa versão mais ligeira e condensada, se esta última existisse), altura da espinha do S semelhante a esta última, estilo sem-serifa geométrico (de acordo com a cabeça do A, que emula ainda tipos como a Futura), espessura invariável em todas as hastes, braços e outros elementos, tracking bastante solto e ainda uma curiosa ausência de ligação entre a haste do R com a cauda da letra, criando assim uma abertura.
A nível de interpretação, este tipo tenta transmitir a imagem de upscale e exclusividade, devido à sensação mais imponente e senhorial do nome, não necessitando portanto de elementos extra (serifas, por exemplo) para passar a sua mensagem. O envelhecimento no tratamento dourado das letras indica ainda uma certa idade e resistência aos elementos, perpetuando a sensação criada pela composição tipográfica.
Dois tipos: as letras SP pertencem à categoria das decorativas (semelhantes à Broadway, em estilo art déco); o restante está em Helvetica.
Estilo geométrico, à base de formas simples, fonte não identificada. Atente-se no pormenor do espaço negativo do F  a ser projetado no A.
Estilo mais decorativo, fisicamente esculpido, dando lugar a características curiosas como o oco de algumas letras, sem distinção de traçado.
Slab-serif, mais arredondada, semelhante à Clarendon. Elementos decorativos aproveitam-se da relação preto e branco no corpo da letra.
Script. Note-se a profusão de ligaturas e floreados, que se adaptam à forma do logótipo.

Script. Uma linha de espessura progressiva curva após o L e termina junto ao E, convidando a reler o nome.

Blackletter, na metade inferior. Inscrição entalhada em madeira, reforça a ideia de antiguidade ou medieval.

Tipografia: significado e evolução

"Uma palavra não é um cristal transparente e inalterável; é a pele de um pensamento vivo e pode alterar enormemente com a sua cor e conteúdo de acordo com as circunstâncias o momento em que se use"
Oliver Wendell Holmes
As palavras compõem a linguagem verbal, algo exclusivo do ser humano. A pele às riscas de uma abelha ou de uma serpente advertem do perigo: são sinais gráficos capazes de transmitir mensagens mais ou menos básicos. Mas a flexibilidade dos sistemas gráficos está limitada ao número de signos disponíveis. As mensagens que se trocam dentro e entre sociedades podem ser muito complexas e, portanto, requerem meios mais sofisticados: palavras faladas e escritas.

Pode entender-se como tipografia a interpretação desta linguagem verbal. A mesma é formada por palavras e letras, cuja combinação permite criar uma infinidade de significados e pode ser entendida como uma das grandes causas para a evolução das civilizações.
Sem palavras, a comunicação num mundo civilizado seria bastante difícil de organizar. Na Antiguidade clássica e durante a Idade Média, só as classes dominantes detinham o privilégio de aprender a ler e a escrever.
Porém, com a invenção da prensa, por parte de Johannes Gutenberg no século XVI, o texto começa a substituir as imagens, o meio mais  utilizado para transmitir sobretudo ideias religiosas e/ou políticas. Desta forma, infere-se que esta evolução da linguagem acompanha a evolução do Homem enquanto ser vivo e ser social.

A comunicação nas primeiras sociedades

A tipografia no mundo de hoje
No mundo em que se vive, todo o processo de substituição referido anteriormente parece inverter-se. Com o surgimento das novas tecnologias e o quase desaparecimento da "distância-tempo" , a informação tornou-se tão acessível que o ser humano quase que se esforça para estar totalmente atualizado em relação aos dados a que se encontra exposto diariamente. A troca de informação que antigamente permitiu melhorar a interação social apreende-se hoje como um fardo e a crescente sobrecarga informativa tem vindo a mudar o uso da linguagem.
Com a falta de tempo para ler, recorre-se às imagens como elemento substituto das palavras. Tomemos como exemplo um sinal de trânsito - um simples círculo vermelho com uma barra horizontal branca transmite a ideia de proibição.

Sinal de trânsito
Um texto exige leitura e a leitura é considerada uma atividade analítica que leva o seu tempo. Contudo, interpretar uma imagem pode ser também complexo. As mesmas estão sempre sujeitas à interpretação  e à experiência social e humana do indivíduo. Quanto maior a sua complexidade, maior a abrangência de significados, daí a constante fusão de imagens e palavras a que assistimos, nomeadamente na poesia visual.

Pêndulo, de E.M. Castro
Bibliografia consultada
Hillner, Matthias, Bases de la tipografía virtual, 2010, AVA Publishing SA
Blacwell, Lewis, Tipografía del siglo XX,2004, Editorial Gustavo Gili
Crato, Nuno, Comunicação Social: A Imprensa, 1992, Editorial Presença

Proposta #1

Reiterando as publicações prévias, que explicitam o conceito detrás da primeira proposta de trabalho, o objetivo desde a escolha da música, conceptualização e execução do trabalho é simples: capturar com eficácia o dualismo mundo bom / mundo mau que a letra da mesma remete, de acordo com a interpretação que construímos. Sucedeu-se um brainstorming, recheado de ideias subversivas que permitissem imprimir à interpretação efetuada um conjunto de dinâmicas: a estética (tinha de ter bom aspeto), a técnica (apropriar-se dos conceitos do design da comunicação visual de forma estruturada e compreensível) e ainda uma interação.

Concluímos que seria possível implementar este último ponto se o produto não fosse imediatamente compreensível, ou seja: através duma necessária interação (o mais expedita possível) por parte do observador, fosse possível comunicar diretamente e de modo inequívoco a ideia detrás da faixa selecionada.
O motivo para tal decisão consiste em refutar o fenómeno de gratificação instantânea, como idiossincrasia subjacente à imagem. Após refinar algumas ideias iniciais relativas à execução e ao estilo geral seguido, apresentamos o projeto final.

(Clique na imagem para fazer download)
Inspirados pelas obras mais célebres associadas à teoria Gestalt (nomeadamente as ilusões óticas de inversão ou rotação), arquitetamos um conceito simples: retratar explicitamente o dualismo interpretado através duma divisão horizontal nos enquadramentos (quer quadrado quer circular) propostos. Entre a divisória, perspetivas de um mundo bom e um mundo mau estão representadas.

A dinâmica da interação foi aplicada com o movimento - o objetivo é a imagem parecer um todo claramente indiscernível (a nível técnico, dos elementos do design) até o observador rodar a composição 180º. Tal irá  despoletar dois efeitos: o observador por um lado passa a ter uma visão clara e indiscernível da imagem oposta à divisória e, por outro, passa a poder indicar quais os elementos do design visual na metade que podia, há instantes, ver como uma paisagem completa. Cremos que, deste ponto de vista, a submissão deste projeto está apta aos parâmetros requeridos pela proposta de trabalho, na medida em que utiliza um elemento do design da comunicação para poder revelar os demais que nele estão presentes.

Mesma imagem, rodada 180º. Interpretação diferente.
Para mostrar com clareza os conceitos associados ao bom e ao mau, a parte  pauta-se por ser uma paisagem urbana de grande densidade habitacional, repleta de tons ora cinza e monótonos, um tanto por todas as construções, ora contrastantes numa paleta garrida e oblíqua como after-taste um tanto distópico.
Como veículo da mensagem, para além da profusão de formas retangulares que formam edifícios, a textura define o tom da cena, imprimindo a atmosfera de degradação e negligência socio-cultural pretendida.
A perspetiva serve para veicular o observador a tomar interesse nas linhas de força (as diagonais que formam a pequena doca, à esquerda) e, por sua vez, assimilar a vastidão do conteúdo no plano de fundo, mais repetitivo.
Em contrapartida, a parte boa é, literalmente, um mar de calma, simplicidade e relaxamento. Cores vibrantes e naturais concluem a transição de tonalidades entre os espaços, delimitados por um degradê em corte seccional (potenciado pela coexistência das perspetivas), enquanto um azul enérgico e simplista cobre o oceano.
Esta interpretação um tanto simplista do bem e do mal foi selecionada por ser de fácil compreensão, não exigindo ao observador uma contextualização sólida e mais extensa sobre o assunto para compreender facilmente as ideias-chave (ao contrário de, por exemplo, algumas formas de arte contemporânea).

No que respeita à técnica e processo de execução do trabalho, como referido, os pontos a focar a nível de elementos do design visual são a perspetiva, forma e textura. Os dois primeiros foram inicialmente desenhados à mão, de modo a ter uma ideia mais concisa do que fazer, para serem posteriormente desenhados no Illustrator. Todo o trabalho de estrutura (uma grelha especificamente para facilitar a construção em perspetiva), desenho por linhas e cores elementares é vetorial.
Posteriormente, para conferir a textura e os tons mais característicos da composição, a imagem foi texturizada elemento a elemento no Photoshop, recorrendo quer a texturas produzidas no programa, quer a imagens, e submetida a uma série de filtros de correção de cor, saturação, entre outras.

Esta abordagem dupla serviu vários propósitos: auto-aprendizagem, no caso vetorial, pois permitiu uma maior aproximação e familiaridade com o meio (que terá vantagens futuras, seguramente); treino de um  workflow, conceito importante de multitasking e polivalência, adquirido nas aulas; conjunção de vantagens (recorrer aos dois softwares desbloqueia um potencial estético e prático sem precedentes), entre outras.

Tendo referido todos os pontos que justificam as nossas escolhas para o trabalho, lado-a-lado com o processo criativo detrás do projeto, finalizamos a primeira proposta de trabalho. Ainda, disponibilizamos a composição em alta resolução (600 DPI) para download, para posterior análise.

Composição visual: a ideia

O conceito para a primeira proposta de trabalho baseia-se na frase de Wucius Wong contida no livro Princípios de Forma e de Desenho:
"Entre o pensamento bidimensional e tridimensional há uma diferença de atitude. Para fazer representações tridimensionais, o designer deve ser capaz de visualizar mentalmente a forma e girá-la mentalmente em todas as direções como se estivesse nas suas próprias mãos."
É nesse "girar" que nos inspiramos para esta primeira composição visual. Utilizando os elementos básicos da comunicação visual, como a linha, a cor, os pontos e a textura, pretendemos de certa forma "brincar" com a perspetiva do ser humano. Dito de outra forma, a música escolhida, Don't Panic da banda Coldplay, mostra-nos uma visão ambígua do mundo em que vivemos, isto é, apesar de vivermos numa realidade repleta de tantos "males", existe sempre uma janela para algo melhor, algo bonito, sendo essa sensação positiva que deve perdurar na nossa mente.
Assim, e explicitando concreta e fisicamente o nosso trabalho, pretendemos dividir em duas partes o espaço abrangido, representando assim a mensagem contida nesta música. Ao olhar primeiramente o lado "mau" deste nosso projeto, seguimos o conselho de não entrar em pânico, rodando literalmente 180º a composição visual, obtendo uma visão mais calma e pacífica da vida.
Por ser inovador e um pouco abstrato, foram estas razões que nos levaram a escolher este conceito, revelando-se no final aplicável a outros âmbitos que não o académico.

Elementos básicos da comunicação visual

Diz o dito " mais vale tarde que nunca"... Ora, após a leitura do livro de Donis A. Dondis acerca dos elementos básicos da Comunicação Visual, eis uma breve súmula do conteúdo do mesmo:

Os elementos visuais constituem a matéria-prima de toda a informação visual em termos de opções e e combinações seletivas. São eles:

O ponto: 
O ponto é a unidade de comunicação visual mais simples e mínima. Dois pontos são instrumentos úteis para medir o espaço no meio ambiente ou no desenvolvimento de qualquer tipo de projeto visual. Aprendemos desde cedo a utilizar o ponto como sistema de notação ideal, junto com a régua e outros instrumentos de medição, como o compasso.

Quando vistos, os pontos ligam-se, tornando-se capazes de nos dirigir o olhar. Quando em grande número e o mais justapostos possível, criam a ilusão de cor.

A linha:

Quando os pontos estão tão próximos entre si que se torna impossível identificá-los individualmente, aumenta a sensação a de direção e a sequência de pontos transforma-se num outro elemento visual: a linha

A linha tem a sua própria energia. Nunca é estática; é o elemento visual inquieto e inquiridor do esboço. A linha é muito usada para descrever  essa justaposição.

A forma:
A linha descreve uma forma. Existem três formas básicas: o quadrado, o círculo e o triângulo equilátero.

A cor:

A cor é a mais eficiente dimensão de discriminação. É o elemento que tem mais afinidade com as emoções. Nas artes visuais, a cor não é apenas um elemento decorativo ou estético, é o fundamento da expressão. A cor exerce uma triplia ação sobre o indivíduo que recebe a  comunicação visual: impressiona a retina quando é vista; provoca uma emoção, ou seja, é sentida e é construtiva pois tem um significado próprio, tem um valor simbólico e é capaz de construir uma linguagem que transmita uma ideia.

A textura:

A textura pode ser apreendida tanto pelo tacto como pela visão. Contudo,  é possível que uma textura não tenha nenhuma qualidade ao nível táctil, mas sim ao nível do campo ótico.
Quando há uma textura real, coexistem ambas as sensações. A maior parte da experiência com as texturas é visual e a maioria não se encontra realmente lá.

A perspetiva:

A representação da perspetiva em formatos visuais bidimensionais também depende da ilusão. A dimensão existe no mundo real, porém é reforçada aquando da elaboração de uma pintura e /ou desenho. A mesma é usada para dar profundidade  ao desenho, torná-lo mais real e, em conjunto com os elementos enumerados acima, traz equilíbrio e funcionalidade ao projeto em que se está a trabalhar.

Assemblagem

Montagem em curso para a primeira proposta de trabalho.

Conceito "Don't Panic"

A música Don't Panic remete-nos para a ideia de que apesar de toda a desordem, de todo o caos que nos rodeia, de todos os dramas que surgem nas nossas pequenas caixas mágicas, temos aquela que nunca morre: a esperança.
Assim, e jogando com elementos básicos da comunicação visual, como a linha e a perspetiva, procuraremos algo repleto de significado. Mesmo quando a nossa vida sofre uma volta de 180 graus, temos sempre algo à nossa espera de ser descoberto.

Don't Panic

Adorávamos partilhar aqui a música detrás do primeiro projeto de Design, mas infelizmente os senhores da EMI discordam do nosso interesse em escutá-la fora do walled garden que consegue ser o YouTube.